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Quando a economia melhorar...

Entrevista: Doug Van Bronkhorst

Por “ter missões no seu DNA” (o avô foi missionário no Japão) e por influência de um pastor com o qual havia trabalhado na área de educação cristã, Doug começou a dedicar-se a missões. Hoje ele é diretor executivo da Interserve (uma missão fundada na Índia em 1852) nos Estados Unidos.

Nesse ministério, Doug tem dado assistência a muitos casais de missionários espalhados em vários países (Tailândia, Bangladesh, Nepal e Tibete, por exemplo).

Ele e sua esposa, Kathy, visitaram o Brasil pela primeira vez em outubro de 2011. Foi ele quem pregou na comemoração do 28° aniversário do Centro Evangélico de Missões, em Viçosa, MG.

 


Segundo ele, os americanos continuam comprometidos com missões transculturais.


Confessa que no ano passado as doações para missões e outras causas diminuíram, mas acredita que “quando a economia melhorar, isso vai melhorar”.
 
Mesmo tendo nascido em um lar evangélico e participado de Escola Dominical na infância e na adolescência, o senhor só assumiu o compromisso com o evangelho na universidade. O ambiente universitário é propício a uma decisão por Cristo?
 
Qualquer universidade oferece tipos diferentes de “ambientes” sociais e intelectuais, alguns saudáveis e que levam ao crescimento pessoal, e outros que levam justamente ao caminho contrário.


Na melhor das hipóteses, “a universidade incentiva os jovens, em um estágio muito influenciável de suas vidas, a buscar respostas para as questões mais importantes, como a existência de Deus” -- e é por isso que o ministério com jovens universitários é sempre importante.


Entre o missionário tradicional (de tempo integral) e o missionário biocupacional, qual deles seria mais necessário hoje?
 
Para mim, não existe “missionário de meio período”. Todos os cristãos são chamados para um ministério de tempo integral, a fim de usarem seus dons a cada dia para a glória de Deus. O mundo precisa desesperadamente deles em todas as esferas da vida, em todas as carreiras, em famílias que entendem e seguem esse princípio. Alguns cristãos podem dedicar a maior parte do tempo pregando ou liderando uma igreja; portanto, pastores e evangelistas são bem-vindos, mas eles não são a chave para que se cumpra a Grande Comissão de Cristo.


O que realmente importa para impregnar a cultura com o evangelho é afirmar e mobilizar os membros do Corpo de Cristo, encorajando-os a compartilhar sua fé e viver para Cristo onde quer que trabalhem e vivam, e em cada relacionamento.

 
Em novembro de 2011 você e Kathy se tornaram avós. Alguma coisa mudou na vida de vocês?
 
Estamos começando a descobrir o que estas mudanças são e o que representarão daqui para frente; mas já sabemos que este é um relacionamento especial, com grande alegria e muitas responsabilidades. Estamos felizes por nosso filho e nossa nora, por receberem este presente de amor em suas vidas, que os ensina a confiar em Deus e um no outro para cuidar da June Elizabeth, que, aliás, é a garotinha mais linda do mundo!
 
Qual a sua percepção da crise econômica e como ela afeta o movimento de missão integral (tanto na ajuda social como na missão transcultural)?
 
Acho que a crise tem prejudicado todo tipo de missão. É preciso dinheiro para se alcançar as pessoas, cuidar dos pobres, ultrapassar as barreiras linguísticas e culturais pelo evangelho.
 
Os Estados Unidos realmente “pararam” de enviar missionários para países de risco devido à situação política?
 
Não. Os cristãos norte-americanos ainda se dispõem a ir para os lugares mais difíceis da terra, como o Afeganistão, e a igreja ainda os envia. Há pessoas que defendem as missões locais, outras, as missões feitas por nativos nas suas regiões, e há ainda outras que se concentram em alcançar imigrantes em regiões difíceis fora de seu país de origem, mas estas são apenas parte da grande e diversificada igreja dos Estados Unidos, e nem de longe são a maioria.
 
Em agosto de 2010, entre os dez estrangeiros assassinados no Afeganistão, estavam dois profissionais americanos da Interserve, um médico oftalmologista e um estagiário de 24 anos. Por que eles foram mortos?
 
Eles foram mortos por pessoas que lutavam contra o atual governo afegão e as tropas estrangeiras. Esses militantes muçulmanos se encontraram com os norte-americanos por acaso e os mataram sem se importar em saber quem eram aqueles estrangeiros e por que estavam no país. Os afegãos acreditam que matar estrangeiros (os quais eles sempre presumem que são cristãos) é bom para a causa deles. Muitos deles condenaram os assassinatos porque reconheciam que Tom Little e seus companheiros eram profissionais da saúde. Logo, a questão é política e religiosa; mas, para os muçulmanos, esses assuntos estão sempre interligados.
 
Como os missionários americanos vivenciam a questão do sofrimento e perseguição no campo? Como reagem?
 
Na época em que Tom e outros foram assassinados, havia dez pessoas “na linha de frente” se preparando para ir para o Afeganistão conosco. Desde os assassinatos, sete se mudaram para lá e começaram o trabalho, e os outros três estão levantando apoio para fazê-lo. Assim, um tipo de reação tem sido fé renovada e coragem admiráveis. Ao mesmo tempo, o sofrimento e a perseguição são dolorosos. Alguns que estavam no Afeganistão voltaram para os Estados Unidos e podem ou não retornar ao exterior. Eles reagiram buscando preservar a saúde mental, emocional e física deles e de suas famílias. Ainda é cedo para dizer quais serão os efeitos a longo prazo, mas tenho confiança de que os cristãos norte-americanos vão continuar servindo em lugares difíceis.
 
Os Estados Unidos são conhecidos por sua generosidade histórica em missões. Esta generosidade continua na crise? Como canalizar esta qualidade sem “prejudicar” o desenvolvimento autóctone?
 
Sim, ainda há generosidade, mas existem problemas.


Muitos estão desanimados por causa da crise, alguns estão deprimidos. Doações para todas as causas (e não apenas para os cristãos) estiveram também em baixa no ano passado. Quando a economia melhorar, isso vai voltar.


Espero que os norte-americanos parem de dar esmolas às pessoas. Mesmo com boas intenções, a longo prazo, isso faz mais mal do que bem. A Interserve trabalha para as pessoas se tornarem autossuficientes, e não dependentes, e também para ser um modelo de trabalho em uma cultura diferente, e não apenas estar na folha de pagamentos de uma igreja nos Estados Unidos. Devido à pobreza de muitos dos lugares onde trabalham, os parceiros da Interserve precisam receber ajuda dos Estados Unidos, mas, ainda assim, possuem um emprego legal e trabalho no país de serviço.

 

Nota do Editor

Aproveitando a oportunidade, conclamo a todos os irmãos a pensarem e orarem mais pelo nosso próprio país, pela evangelização de milhões de pessoas não alcançadas, em locais como a Amazônia e o sertão nordestino.


Fonte: Ultimato


Depois de fazer o curso de engenharia elétrica na Michigan State University (1965–1969) e uma pós-graduação em teologia na Trinity Evangelical Divinity School, em Illinois, Doug Van Bronkhorst dedicou-se inteiramente ao ministério cristão. Foi pastor titular da Igreja Presbiteriana de Walnut Creek, próxima a São Francisco, Califórnia, e, mais recentemente, da Primeira Igreja Reformada de Grandville, Michigan.

 



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